Qual o papel do esporte na civilidade? | Lições de uma Copa

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Eu estou numa missão de compartilhar com vocês que acompanham o Blumerangue as dificuldades, perguntas, respostas, alegrias e tudo mais que envolve a busca de quem deixou um emprego “tradicional” para tentar realizar projetos pessoais e viver de uma forma diferente do que aprendemos que é “o que se precisa pra ser feliz”.

Não é porque falarei aqui do Mundial de Futebol que estou saindo deste tópico, muito pelo contrário.

Não tem como não citar o acontecido da vitória da Seleção de futebol Alemã contra a Seleção Brasileira de futebol na semifinal de ontem. Mais do que isso, não tem como não tirar lições do esporte, que é uma fonte inesgotável de autoconhecimento, evolução, aprendizado… Itens indispensáveis para quem quer ter sucesso em seus projetos e viver melhor consigo e com os outros.

Eu sou apaixonado pelo esporte, como já disse inúmeras vezes, pois ele me proporcionou e continua sempre a me proporcionar lições que carrego para todas as áreas da minha vida, dos meus relacionamentos ao meu trabalho.

Esportes coletivos são uma parte extremamente importante na formação de um cidadão na infância. É a coletividade, o espírito de ajudar e colaborar, de entender que o outro também tem direitos, tem seu espaço, tem chances e de que a vida não é feita só de momentos de vitória, mas que é preciso às vezes perder para aprender a evoluir – valeu senhor Galvão Bueno? Aquelas crianças chorando vão aprender em próximos jogos na Seleção Brasileira que perder é preciso, lidar com a derrota e as emoções também e evoluir depende de como encarar esses momentos.

É preciso aprender a perder.

Meu primeiro professor e técnico de tênis me falou uma frase que eu nunca esqueço, mesmo quando me é difícil aceitar uma derrota: perder te dará lições mais valiosas do que vencer e sair para comemorar, sem pensar em como foi seu jogo.

 

O país do futebol que nunca aprende com a esportividade

A Seleção Brasileira de Futebol perdeu ontem. Não sei a você, mas a Seleção da Alemanha não me humilhou.

Foi triste, é claro que foi triste. Eu também senti muito como torcedor, como quem curte o esporte.

Não é fácil para nenhum atleta encarar uma derrota dessas proporções, muito menos essa garotada que formou o time da Seleção Brasileira e que sem dúvidas – notável desde o jogo com o Chile – carregou em sí um peso ainda maior do que apenas ganhar um campeonato de futebol em casa.

Esses jovens atletas carregaram a responsabilidade de trazer um pouco de alegria para um povo que sofre com um momento complicado do país, um povo sem hospitais, sem segurança, sem educação de qualidade, sem formação básica de cidadão, um país de quem sobrevive, mas que ainda não aprendeu a viver nas vias de fato.

E sim, a culpa é nossa.

Não adianta querer culpar o futebol, os jogadores, o torneio, o esporte, o sucesso alheio… Enquanto não se aprende a reconhecer a própria culpa e o erro, é impossível melhorar. Somos mimados e egocêntricos, todos somos, só temos que aprender com a empatia a melhorar, a evoluir, a crescer.

Crucificamos culpados para todos os problemas no país, problemas com os quais estamos tão habituados que vivo ouvindo “ah, mas vai fazer o que? Todo lugar é assim…”. Chega de achar culpados! É hora de achar quem é responsável por mudar esse cenário.

Espero sinceramente que, num ano que daria (ou dará) um bom livro sobre a história do país, possamos aprender a evoluir como sociedade e darmos um bom final para este livro. Somos uma sociedade ainda jovem, temos muito o que aprender e isso não é feio não. Feio é perder e não aprender nada. Feio é errar e colocar nas costas de 11, 22, 200 milhões a responsabilidade de cada um de ser um pouco melhor e tentar ensinar o outro a ser um pouco melhor também.

Por vezes me sinto dentro de um “jogo”, no qual é preciso escolher o movimento certo, o melhor momento, arriscar, defender, atacar, usar tática e estratégia, depender do outro, confiar no outro. Agradeço por cada derrota que tive até hoje, na brincadeira ou em torneios, negócios, profissão, relacionamentos. Ninguém nunca vai acertar tudo. Eu quero que você nomeie agora alguém que você considera um vencedor que não sofreu, errou ou perdeu. Se você acha que conhece, pense de novo, pesquise sobre a vida dessa pessoa.

Ah, a Seleção Alemã de ontem? Não ganhava um torneio de futebol há algum tempo, tem essa mesma equipe há 6 anos, perdeu na semifinal do Mundial passado em casa também e sofreu uma reestruturação de time. É, pois é, nossa Seleção de Futebol foi montada há pouco tempo, ainda jovem como nossa sociedade, e isso não é desculpa, é evolução.

 

 

Eu continuo a errar, a perder, mas me recuso a não aprender.

Espero que você também tenha notado que eu não falei nenhuma vez neste texto que “a Alemanha derrotou o Brasil”, mas sim que as Seleções de Futebol jogaram ontem e uma venceu e a outra perdeu.

Sim, o esporte representa o país, mas não “é” o país. O Brasil é o Brasil. Neymar é Neymar. O Ayrton é o Ayrton, o Guga é o Guga e o time de vôlei é o time de vôlei. A nação é a nação.

Se você quer ter mais para se orgulhar do que os exemplos do esporte: prêmios Nobel, invenções, políticos, país com sistema de saúde ou transporte exemplar, seja lá o que for… Faça sua parte. Você é responsável por aprender em cada derrota e se melhorar, melhorar o que está ao seu redor.

O milagre acontece de dentro para fora.

Espero que você tenha aprendido com cada abraço de adversários, cada lágrima, cada pique, cada palavra e gesto antes, durante e depois dos jogos. Espero que você não seja quem foi “patriota” antes de cantar o hino e virou as costas ao tomar 7 gols. Espero que você não queime bandeiras. Espero que você não pense que a nação é uma seleção de futebol. Espero que você não esteja vomitando asneiras no Facebook.

Mas se você estiver fazendo isso, espero que você aprenda com seus erros.

Encontro você no próximo aprendizado.

 

Imagem em destaque: Atribuição Alguns direitos reservados por Doha Stadium Plus via IM Creator

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  • Carina Godoy

    Perfeito! Sem mais…

    • Obrigado Cá! “Perfeito” é bastante, mas treinamos e erramos mirando ele 🙂

  • A Seleção Brasileira não é o Brasil. Foi uma derrota bem amarga para eles, mas não para nós, não entendo porque o bafafá.

    Deveríamos fazer o que torcedor faz: torcer. Torcer para que eles não desistam de seus sonhos, torcer para que eles superem essa derrota, torcer para que eles aprendam com seus erros.

    Perder é mais mérito do vencedor do que demérito do perdedor, todos ali deram o seu melhor 🙂

    Abs!

    • Exatamente meu amigo, sábias e práticas palavras. Não tenho o que falar 🙂

      Obrigado por complementar o texto mais uma vez. Abração!

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