A insustentabilidade – da vida aos negócios.

Com certeza você já ouviu falar sobre sustentabilidade. Mas não ouviu falar muito sobre a INSUSTENTABILIDADE, correto? Sim, é o avesso do sustentável, isso que acontece com modelos de negócios desregrados e pouco éticos, com relacionamentos cheios de vazio ou com a água que você usa na sua casa.

Exemplo atual: temos enfrentado uma escassez de chuvas que se estende desde o início desse ano e sem praticamente nenhuma mudança no consumo, o que culminou na diminuição drástica dos reservatórios de água e consequentemente na necessidade do racionamento.

Assim como o consumo exacerbado de água pode culminar na falta de sustentação dos reservatórios, por exemplo, outros tipos de atitudes tem relação direta com a insustentabilidade desde seus negócios até sua vida.

ATUALIZAÇÃO: Como sugerido pelos amigos leitores, farei mais artigos sobre o assunto, já que ele pode se estender mais nas áreas comentadas abaixo. 🙂

A insustentabilidade dos negócios

Um assunto que vira e mexe é comentado em encontros entre amigos e colegas de profissão, principalmente na área criativa e empreendedora, é sobre a insustentabilidade dos atuais modelos de negócios.

Já é um movimento global a implementação de modelos de negócios-sociais (ou social business, entre outros nomes): modelos de negócios com fins lucrativos e com foco em desenvolvimento social, ambiental e etc. Sim, são negócios que tem como propósito solucionar problemas sociais e ambientais e, mesmo com essa vibe de “ong”, são negócios com fins lucrativos. E que lucram.

Nenhum negócio se mantém em pé ou avança sem lucratividade, a lógica é matemática – e ética: quanto mais um negócio que tem foco em solucionar problemas reais lucrar, mais ele poderá ajudar.

Reparou no ética em negrito, né?

Negócios que quiserem crescer com pés firmes no chão e se sustentarem bem por um longo período de tempo tem que entender que o dom de empreender é dado para que possamos solucionar problemas reais, ajudar e criar soluções, colocar as pessoas à frente do lucro no dia-a-dia do negócio, dos projetos e das tomadas de decisão, sem esquecer que é possível sim lucrar sem pisar no pescoço de ninguém.

Estamos em um mundo com quantos milhões de pessoas? Você acredita mesmo que não haja espaço para negócios que resolvam necessidades ou problemas e que você tem que acabar de vez com seu concorrente antes de tudo? Quanta energia (dinheiro, tempo, ZzZzZ…) você pretende gastar concorrendo e não inovando ou criando soluções reais?

Quando o pensamento passar para o lado do “pisar no pescoço do concorrente” e “lucrar a todo custo”, pare e pense: não é crescimento, é ganância. E a ganância pode matar seu negócio rapidamente. E vai.

Os recursos naturais tem um limite. Os recursos humanos tem um limite. A paciência e a incoerência também tem limite. Não devemos brincar com a inteligência das pessoas e muito menos com a inteligência da natureza ou do Universo.

Enquanto isso nas carreiras profissionais…

… O mesmo pode acontecer.

Ou você nunca viu ou ouviu falar da história de pessoas que cresceram dentro de grandes empresas ou mesmo de uma profissão específica fazendo uso das outras pessoas como trampolim e não como parceiro de crescimento?

Qualquer profissional que tenha agido de forma egoísta em busca de suas metas, nunca vai se sentir satisfeito em sua conquista. Se o objetivo é ser presidente da empresa, essa pessoa nunca se sentirá satisfeita e mesmo que seja eleita presidente, sempre ficará mais distante da sua realidade satisfatória.

É uma conquista vazia e uma conquista vazia sempre vai exigir outra em busca de satisfação.

(Continua…)

E nos relacionamentos…

… O mesmo pode acontecer.

Assim como as conquistas vazias, relacionamentos baseados em falta de confiança, mentiras ou aparências são cheios de vazio. Como pode se sustentar um relacionamento entre duas pessoas que aparentam uma coisa e desejam outra intimamente?

O insustentável também pode acontecer em nosso relacionamento com o Universo: como você espera que a natureza reaja ao excesso, por exemplo? Se você come demais, terá problemas de saúde. Se bebe demais, também. Se exagerar no consumo de água de forma desnecessária, não há dúvidas de que faltará água. Carro, calçada, banho demorado… não existe desculpa.

Temos uma infinidade de recursos que nos foram dados de graça quando chegamos por aqui, e não por isso podemos utilizar indiscriminadamente e pensar que nunca terá fim. Já sabemos que tem.

(Continua…)

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Minha proposta com o texto de hoje é que você pense: em sua carreira, em seus negócios e projetos, no seu dia-a-dia, na empresa que você trabalha… em quais dessas situações existe a possível insustentabilidade?

Como você pode agir para mudar esse cenário e quais serão essas atitudes?

Papel e caneta na mão, planeje, escreva e vai que vai.

Não se esqueça de deixar seus comentários aqui e contar sobre o que você pensa, se já viu a insustentabilidade de perto e o que pretende fazer para viver num mundo que você realmente acha legal viver. E vamo que vamo! 🙂

 

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  • rodrigovk

    Essa é a minha crise com empresas que vendem produtos caros e brilhantes, cujo modelo de negócio se baseia em vender algo mais caro e mais brilhante no ano seguinte. Até quando? E o lixo tecnológico que temos acumulado, vai para onde?

    Acho que o problema nos relacionamentos e na vida pessoal é que não conseguimos enxergar a insustentabilidade a curto e médio prazo. Se eu beber hoje, eu vou ter problemas só daqui a 20, 30 anos. “Até lá alguma coisa já mudou.” :/

    • De fato. Existem várias facetas, como essa que você comentou Rodrigo. Até quando? Até fincar insustentável, eu acredito. Não julgo a empresa e nem quem consome (mesmo sendo absurdamente caro), apenas observo e analiso que talvez seja até ficar insustentável (tanto para o cliente quanto para a empresa).

      Quanto à parte de relacionamentos e vida pessoa: pois é, também acho que isso possa ser um dos problemas, tentamos colocar a culpa ou a desculpa no tempo e nos ausentarmos da responsabilidade, mas, como sabemos, no fim, nós mesmos vamos lidar com nossas escolhas de hoje, seja daqui 20 min, 20 horas, 20 dias ou 20 anos 🙂

      Importante é: sempre há tempo pra começar 🙂

  • Da série… o link guardado só deu pra ser lido hoje. O assunto gera pano pra manga e não acaba nunca. Vocês citaram como exemplo os produtos caros e brilhantes, eu já cito os baratos e opacos: fraldas. A estimativa é de 400 anos pra se decompor completamente. De bônus, uma fralda vai pro lixo com um subproduto que nada mais é que um esgoto a céu aberto. Então some a esse fato todas as consequências e riscos ambientais e de saneamento que isso traz. Se formos pra indústria brilhante, temos os carros. Drenam o meio ambiente para serem produzidos, drenam no ciclo de vida dele e drenam no descarte. Dois exemplos infantis e rasos que coloquei. Quantos mais temos insustentavelmente insustentáveis?

    • Da série… o importante é ler e comentar, participar! Hehehe 🙂

      Sim meu amigo, produzimos boa parte de nossos bens de maneira insustentável e assim permanecemos. Por isso mesmo é preciso mudar o que podemos, atualizar o que podemos e criar, à partir de agora, projetos que pensem muito mais nas pessoas e no universo antes de pensar no maior lucro possível. E não só falando de negócios, falando de atitudes de vida também.

      Obrigado pelos comentários, logo vem mais sobre o assunto 🙂

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